“…a vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”
Memórias de Emília, 1936, Monteiro Lobato
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A rotina do que não existe, porque é...sem nome.
O que estou buscando é algo que
Não quero e nem devo entender.
Quero é sondar planícies mais vastas e longínquas,
Apoiando-se em minha intuição e visão.
Meu mundo é criado através de formatos
Desenhados por mim, quando moldo em sonhos e sorrisos.
Os montes de um país que nunca vivi.
Olho tudo, todos e todos os dias, pois essa é minha rotina.
O caminho tem carros que poderiam estar andando,
Se não fosse o tempo parado em suas filas de
Grandes gafanhotos, onde vivem sempre.
Um atrás do outro.
A criança sentada na calçada tira de suas narinas
Secreções nasais de algo que ficou escondido no tempo,
No tempo da infantilidade das ações do ser.
O mendigo come os restos, dos restos dos donos das casas.
Onde procura a sua própria, escondida pelos porões do monopólio.
O casal de namorados dentro do ônibus
Beijam-se enlouquecidamente
Como se lá fora as outras pessoas
Não jogassem as outras do sexto andar.
Fecham os olhos para não ver a realidade
Da qual não fazem parte pela alienação do amor
Que sentem um pelo outro.
A senhora que está no ônibus abre a janela
E sente o vento em seus cabelos
Como se fosse novamente uma menina de doze anos,
Que as formas físicas aparagaram
Mas a lembrança do que foi vivido faz-se por lembrar a todo momento.
Começa a chover lá fora
E as pessoas que já andavam apressadas
Apertam ainda mais o seu passo,
Uma esbarrando na outra, sem nenhum pedido de desculpas,
Mas acho aqui de dentro que elas só se esbarram
Para poder sentir o calor, o toque das outras pessoas
Pois a chuva é só um pretesto...
As pessoas dentro do ônibus conversam como se a vida
Fosse embora naquele instante...
O motorista paquera uma mulher de saia sentada com as
Pernas viradas para ele
Como se ignorasse o letreiro que diz :
NÃO SENTE NO MOTOR.
Ou então:
FALE AO MOTORISTA SOMENTE O NECESSÁRIO.
O trocador guarda as bolsas e pastas de todos que não
Atravessaram ainda a catraca
Ele faz ali apenas o papel de guarda-volumes...
E eu vejo a chuva cair e o tempo passar...
Quase choro, mas engulo as lágrimas pois
O segredo é embasar as intuições em argumentos sensatos.
Com isso as emoções se tornam mais leves e as disposições mais justas,
Será também mais fácil para se bater pelo que acredita ser o justo,
O certo,
Lutando por mostrar um pouco da beleza do mundo em cada gesto.
E ai sim o amor se beneficia...
Sou o portador de mensagens crônicas
De um mundo inexistente
Cheio de pessoas sem segurança em seus próprios atos e
Com gestos previamente calculados.
Não importa em que janela você está sentado
Importa na verdade a verdade que se torna nesse mundo sem calma
A redundância dos fatos.
Importa também sentir o vento em seu rosto
Com o brilho no olhar de uma criança que vê
O mundo a cada dia que acorda como se fosse o primeiro
Texto tirado do site : http://ocoletordepalavras.blogspot.com/
PS: Achei super interessante e resolvi publicar aqui.
Não quero e nem devo entender.
Quero é sondar planícies mais vastas e longínquas,
Apoiando-se em minha intuição e visão.
Meu mundo é criado através de formatos
Desenhados por mim, quando moldo em sonhos e sorrisos.
Os montes de um país que nunca vivi.
Olho tudo, todos e todos os dias, pois essa é minha rotina.
O caminho tem carros que poderiam estar andando,
Se não fosse o tempo parado em suas filas de
Grandes gafanhotos, onde vivem sempre.
Um atrás do outro.
A criança sentada na calçada tira de suas narinas
Secreções nasais de algo que ficou escondido no tempo,
No tempo da infantilidade das ações do ser.
O mendigo come os restos, dos restos dos donos das casas.
Onde procura a sua própria, escondida pelos porões do monopólio.
O casal de namorados dentro do ônibus
Beijam-se enlouquecidamente
Como se lá fora as outras pessoas
Não jogassem as outras do sexto andar.
Fecham os olhos para não ver a realidade
Da qual não fazem parte pela alienação do amor
Que sentem um pelo outro.
A senhora que está no ônibus abre a janela
E sente o vento em seus cabelos
Como se fosse novamente uma menina de doze anos,
Que as formas físicas aparagaram
Mas a lembrança do que foi vivido faz-se por lembrar a todo momento.
Começa a chover lá fora
E as pessoas que já andavam apressadas
Apertam ainda mais o seu passo,
Uma esbarrando na outra, sem nenhum pedido de desculpas,
Mas acho aqui de dentro que elas só se esbarram
Para poder sentir o calor, o toque das outras pessoas
Pois a chuva é só um pretesto...
As pessoas dentro do ônibus conversam como se a vida
Fosse embora naquele instante...
O motorista paquera uma mulher de saia sentada com as
Pernas viradas para ele
Como se ignorasse o letreiro que diz :
NÃO SENTE NO MOTOR.
Ou então:
FALE AO MOTORISTA SOMENTE O NECESSÁRIO.
O trocador guarda as bolsas e pastas de todos que não
Atravessaram ainda a catraca
Ele faz ali apenas o papel de guarda-volumes...
E eu vejo a chuva cair e o tempo passar...
Quase choro, mas engulo as lágrimas pois
O segredo é embasar as intuições em argumentos sensatos.
Com isso as emoções se tornam mais leves e as disposições mais justas,
Será também mais fácil para se bater pelo que acredita ser o justo,
O certo,
Lutando por mostrar um pouco da beleza do mundo em cada gesto.
E ai sim o amor se beneficia...
Sou o portador de mensagens crônicas
De um mundo inexistente
Cheio de pessoas sem segurança em seus próprios atos e
Com gestos previamente calculados.
Não importa em que janela você está sentado
Importa na verdade a verdade que se torna nesse mundo sem calma
A redundância dos fatos.
Importa também sentir o vento em seu rosto
Com o brilho no olhar de uma criança que vê
O mundo a cada dia que acorda como se fosse o primeiro
Texto tirado do site : http://ocoletordepalavras.blogspot.com/
PS: Achei super interessante e resolvi publicar aqui.
Rotina
ROTINA
Quem é essa que diz ter o nome de rotina?
5:30hs da manhã o celular desperta, abro os olhos, procuro desesperadamente pelo meu celular debaixo do travesseiro, desligo e sento na cama. Olho para ver se minha irmã já saiu, relaxo um pouco, esfrego os olhos para conseguir enxergar direito, levanto, vou ao banheiro e volto para o quarto.
Procuro por uma roupa qualquer para ir trabalhar, me troco, desço e tomo meu café.
Escovo meus dentes, pego minha bolsa e saio na tentativa de ter um bom dia.
São 6:10hs estou no ponto de onibus para iniciar minha jornada, minha grande viagem para o que dizem chamar "trabalho". (apesar de ser estressante, gosto do que faço e sinto orgulho disso.) Pego um onibus, metrô, baldiação, onibus e outro onibus. 9 horas e lá estou eu chegando na empresa.
Tenho mais um dia longo de trabalho, irritações, estresses, risadas, resolução de problemas, trabalhos bem feitos, orçamentos, produção, instalação, tudo resolvido.
18 horas (quando consigo sair no meu horário) vou para casa, lá vamos nós novamente para o ponto de onibus, onibus, metrô, baldiação, onibus e casa.
No ultimo onibus me bate um vazio. Estou perto de casa. Desço do onibus, vou caminhando lentamente pensando na vida, pensando no meu dia.
Chego em casa, familia já reunida, jantar posto a mesa. Jantar em familia, conversa sobre o dia de todos, risadas, debates, risadas e bate o cansaço.
Disputa para ver quem tomará banho primeiro, saio correndo e deixo todos lá na cozinha (rsrs).
22 horas, sento no computador e sinto que falta algo.
Falta você...falta um alguém...
A saudade me bateu hoje como nunca havia batido antes depois de muito tempo.
O porque não sabia, mas logo descobri.
Algo aconteceu, sabia que não era por acaso aquele aperto, aquela sensação, aquela saudade.
E descubro que ainda tenho essa ligação com você, me preocupo com você.
Mas isso realmente não mudará nada.
Pois nosso caminho já foi trilhado e realmente não sou sua e você não é meu.
E vejo que hoje saí da minha rotina.
E vejo que preciso sair dessa rotina, pois um mundo me espera lá fora.
E o meu caminho já está trilhado por Ele lá em cima.
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